Temer na China

September 4, 2017

O governo vai em busca de investimentos, sobretudo para infraestrutura. Nada mais apropriado.  É sempre bom lembrar que o país está no final da lista de todos os rankings que avaliam a competitividade internacional levando em consideração esse aspecto. Os números que comprovam o problema:

 

Segundo a última versão do Global Competitiveness Report (do Forum Econômico Mundial), a qualidade geral da nossa infraestrutura nos deixa na posição 116 (de um total de 138 países analisados). A qualidades das estradas nos coloca na posição 111.  A dos portos, na posição 114. As nossas ferrovias (quase inexistentes - lembrando que temos hoje a mesma quantidade de linhas férreas [49.000 km] que tínhamos na década de 40), garantem a posição 93. Esse é o tamanho do gargalo e a comitiva vai negociar com os atuais donos do dinheiro.

 

A China está acostumada a fazer isso. Investe já há algum tempo em países africanos - especialmente quando dá para garantir acesso às matérias primas que ela tanto precisa.  Como Brasil não deve ser muito diferente.  A China tem um olho gordo para os minérios, grãos e outras matérias primas básicas que o Brasil vende sem mesmo saber por quanto.  É bom lembrar que preços de commodities não seguem a mesma lógica que os manufaturados.

 

A pergunta que fica no ar é: não seria possível iniciar conversas para melhorar os termos de troca com o país asiático?  Precisamos, além de investimentos em infraestrutura, é salvar a indústria nacional.  Destaque para a pequena e média, é claro.  Exportar manufaturados sempre foi - e sempre será - uma ótima alternativa para o Brasil.  Isso não se faz de uma hora para outra, mas é preciso começar.  Como é tudo top-down, o governo deve fazer o seu papel, ou seja, abre o caminho para que nós possamos passar.

 

Em termos práticos e objetivos isso significa que o Brasil deveria endurecer a conversa com a China fazendo algo próximo ao que eles fizeram há muitos anos. Atraindo capital produtivo e dando acesso ao seu mercado.  Que tal um acordo bilateral de comércio?  Desproporcional no início, ele poderia ir se ajustando e equilibrando ao longo dos anos.  Mas isso seria ótimo se capitaneado pelo Brasil e não pelo Mercosul.  

 

Conduzir uma conversa como essa trazendo o Mercosul junto significa atraso e lentidão.  O bloco é uma bola de ferro que o Brasil carrega nos pés.  É hora de repensar a sua existência e trabalhar para garantir agilidade para o Brasil.

 

É hora de repensar a política externa brasileira - com foco absoluto no comércio internacional.  Não dá para viver só de Brasil.

 

 

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