Temer na China

O governo vai em busca de investimentos, sobretudo para infraestrutura. Nada mais apropriado. É sempre bom lembrar que o país está no final da lista de todos os rankings que avaliam a competitividade internacional levando em consideração esse aspecto. Os números que comprovam o problema:

Segundo a última versão do Global Competitiveness Report (do Forum Econômico Mundial), a qualidade geral da nossa infraestrutura nos deixa na posição 116 (de um total de 138 países analisados). A qualidades das estradas nos coloca na posição 111. A dos portos, na posição 114. As nossas ferrovias (quase inexistentes - lembrando que temos hoje a mesma quantidade de linhas férreas [49.000 km] que tínhamos na década de 40), garantem a posição 93. Esse é o tamanho do gargalo e a comitiva vai negociar com os atuais donos do dinheiro.

A China está acostumada a fazer isso. Investe já há algum tempo em países africanos - especialmente quando dá para garantir acesso às matérias primas que ela tanto precisa. Como Brasil não deve ser muito diferente. A China tem um olho gordo para os minérios, grãos e outras matérias primas básicas que o Brasil vende sem mesmo saber por quanto. É bom lembrar que preços de commodities não seguem a mesma lógica que os manufaturados.

A pergunta que fica no ar é: não seria possível iniciar conversas para melhorar os termos de troca com o país asiático? Precisamos, além de investimentos em infraestrutura, é salvar a indústria nacional. Destaque para a pequena e média, é claro. Exportar manufaturados sempre foi - e sempre será - uma ótima alternativa para o Brasil. Isso não se faz de uma hora para outra, mas é preciso começar. Como é tudo top-down, o governo deve fazer o seu papel, ou seja, abre o caminho para que nós possamos passar.

Em termos práticos e objetivos isso significa que o Brasil deveria endurecer a conversa com a China fazendo algo próximo ao que eles fizeram há muitos anos. Atraindo capital produtivo e dando acesso ao seu mercado. Que tal um acordo bilateral de comércio? Desproporcional no início, ele poderia ir se ajustando e equilibrando ao longo dos anos. Mas isso seria ótimo se capitaneado pelo Brasil e não pelo Mercosul.

Conduzir uma conversa como essa trazendo o Mercosul junto significa atraso e lentidão. O bloco é uma bola de ferro que o Brasil carrega nos pés. É hora de repensar a sua existência e trabalhar para garantir agilidade para o Brasil.

É hora de repensar a política externa brasileira - com foco absoluto no comércio internacional. Não dá para viver só de Brasil.

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